STF julga violência política contra Paula Belmonte

STF julga violência política contra Paula Belmonte

A ministra Rosa Weber será a relatora da interpelação judicial movida pela deputada federal Paula Belmonte (Cidadania) contra o senador Izalci Lucas (PSDB), por violência política de gênero. Trata-se de uma das primeiras ações que chegam ao Supremo Tribunal Federal desde que a legislação específica entrou em vigor.

Izalci Lucas é suspeito de ter divulgado um documento com informações sigilosas sobre o estado de saúde da deputada a fim de constrangê-la em meio a disputa que travam pelo comando da Federação PSDB-Cidadania no DF. A deputada Paula Belmonte foi surpreendida com a divulgação do documento após justificar a falta em uma reunião e apresentar o atestado somente ao senador.

A divulgação do atestado médico ofende o princípio resguardado pela Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018), como também se configura violência política contra a mulher, conforme tipificado no art. 326-B do Código Eleitoral e objeto de vedação nos termos do art. 3º, da Lei nº 14.192/2021.

Segundo a deputada Paula Belmonte, a interpelação tem o objetivo de reparar uma injustiça e alertar a sociedade sobre os limites da disputa política, que não pode se tornar um vale tudo em que se atenta contra a ética e a dignidade da mulher.

“Mostramos mais viabilidade política e mais alianças, mas, mesmo assim, o meu direito de ser candidata não está sendo respeitado. Se não bastasse a questão política, a minha intimidade foi violada com a divulgação desse atestado médico. Espero que seja feita justiça”, disse Paula Belmonte.

A lei 14.192 estabelece que é crime assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar uma candidata, com menosprezo ou discriminação à condição de mulher ou ainda à sua cor, raça ou etnia. A lei também vale para mulheres que já ocupam cargos eletivos.

Audiência

A deputada Paula Belmonte teve uma reunião na última quinta-feira (28/7) com a procuradora regional da República, Raquel Branquinho, coordenadora do Grupo de Trabalho de Violência Política de Gênero da Procuradoria-Geral Eleitoral. O resultado dessa audiência foi um pedido de investigação enviado ao promotor de Justiça Eleitoral Paulo Roberto Binicheski.

O caso foi remetido ao STF por conta do foro do senador Izalci.

Da Redação com Assessoria

Lairson Bueno

Lairson Rodrigues Bueno, advogado OAB DF 19407, especialista em Direito Penal, atuando na região Centro Oeste, e, estados de São Paulo e Piauí. É formado em Direito pela UCDB - Universidade Católica Dom Bosco de Campo Grande (MS), cursou Estudos Sociais pela UFMS - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, e, Teologia pela FE - Faculdade Evangélica de Brasília, pós graduado em Direito Penal e Formação Sócio Econômica do Brasil pela UNIVERSO-Universidade Salgado de Oliveira de Niterói (RJ). Mais de 70 cursos de qualificação e atualização profissional. Cursou Espanhol Básico e advogou na fronteira com o Paraguai. Ex-funcionario do Banco do Brasil por 12 anos e de cargos comissionados nas Administrações Públicas por 10 anos. Ex-presidente das Subseções da OAB por 3 mandatos, sendo dois mandatos por Samambaia (DF) e um por Taguatinga (DF). Contatos: (61) 9-8406-8620 advbueno@hotmail.com

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