Eleições 2022: Em busca de reeleição, trocas partidárias reforçam base de apoio a Bolsonaro

Eleições 2022: Em busca de reeleição, trocas partidárias reforçam base de apoio a Bolsonaro

PL, Progressistas, Republicanos, PSC e PTB alcançam 171 deputados, o equivalente a 1/3 da Câmara; legendas aliadas ao ex-presidente Lula somam 113 parlamentares

A três dias do fim do prazo que autoriza as trocas partidárias, legendas que estão alinhadas com o governo de Jair Bolsonaro ganharam adesões, reforçando a base de apoio para a campanha do presidente à reeleição. O PL, partido de Bolsonaro, é a sigla que mais cresce com a chamada janela partidária na Câmara. Integrante do Centrão, a agremiação elegeu 33 deputados em 2018. Após a chegada de bolsonaristas, sua bancada dobrou: somava 66 deputados até a terça-feira, 29. A representação de outras legendas da base governistas também cresceu. 

Como a legislação eleitoral obriga que candidatos ao Parlamento vinculem sua imagem durante a campanha ao presidenciável que seu partido apoia, Bolsonaro terá uma base de ao menos 171 deputados na disputa. 

O cenário de aparente recuperação do presidente, indicado nas pesquisas, reforçou a impressão no meio político de que estar aliado ao governo pode ser uma garantida de voto. A avaliação é de que um contingente grande de parlamentares que também deverão disputar a reeleição vai ampliar o leque de cabos eleitorais pedindo voto para Bolsonaro. 

Somando PL, Progressistas, Republicanos, PSC e PTB são 171 deputados com Bolsonaro, o equivalente a 1/3 da Câmara. Já o petista Luiz Inácio Lula da Silva, principal adversário e favorito nas pesquisas, conta com a bancada do PT, PSB, Solidariedade, PSOL, PCdoB e PV, que representam 113 deputados e não cresceu significativamente. 

O Podemos, do ex-ministro Sérgio Moro, que está estacionado nas pesquisas de intenção de votos, recuou de 11 para 9 deputados. O deputado Diego Garcia (PR) saiu da sigla e foi para o Republicanos e José Medeiros (MT) foi para o PL. Ambos são bolsonaristas e críticos de Moro, que, com o desempenho atual nas pesquisas deixa o partido menos atrativo.

Bancadas

Movimentações partidárias: quem perdeu e quem ganhou adesões até agora

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estando no mesmo partido de Bolsonaro ou em alguma legenda de sua coligação, como sinalizam o Progressistas e o Republicanos, os candidatos precisam vincular suas campanhas à do presidente. Isso equivale a deixar gravado em santinhos e outros materiais de campanha o nome do presidente.

De acordo com levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), com dados atualizados até a terça-feira, o Republicanos, sigla ligada à Igreja Universal, teve o segundo maior crescimento em relação aos eleitos e passou de 30 para 41 deputados. O terceiro maior aumento foi do Progressistas, que passou de 38 para 46 deputados. 

O analista político do Diap, Antônio Augusto de Queiroz, afirmou que o crescimento da bancada do PL é algo inédito na história da Câmara e mostra que Bolsonaro arregimentou uma bancada de apoio que, mesmo no pior cenário, deve levá-lo o segundo turno da disputa presidencial. “É uma candidatura sem dúvida nenhuma competitiva”, disse.  

O intervalo em que os deputados podem trocar de partido sem o risco de perder o mandato começou no último dia 3 de março e termina em 1º de abril. Até o momento, 66 deputados trocaram de legenda pela qual foram eleitos em 2018.

Uma bancada grande na Câmara também é importante porque pode impedir a abertura de processos de impeachment contra o presidente e facilita na aprovação de propostas de interesse do governo.

A expectativa de crescimento dos partidos do Centrão já era prevista por líderes partidários em fevereiro, como mostrou o Estadão. Com o orçamento secreto e sob a presidência do deputado Arthur Lira (Progressistas-AL), o grupo conquistou um protagonismo inédito.

Das legendas com pré-candidatos a presidente definidos, o PL foi a que mais cresceu. O PSDB registrou um aumento de dois deputados, mas ainda vai sofrer uma debandada nos próximos dias.

O PT passou dos 54 eleitos em 2018 para 53 hoje. No entanto, isso acontece porque o deputado Josias Gomes se licenciou do mandato para ser secretário de Desenvolvimento Rural da Bahia. Até o final da janela, o PT deve filiar mais quatro deputados. São eles Flávio Nogueira (PDT-PI), Gastão Vieira (PROS-MA) e Rubens Júnior (PCdoB-MA). No saldo final, o partido deve ficar com 56 porque Gomes vai voltar ao mandato e Marília Arraes (PT-PE) vai entrar no Solidariedade. O PDT, de Ciro Gomes, perdeu seis deputados em relação aos eleitos e passou de 28 para 22 parlamentares.

O líder do PT, deputado Reginaldo Lopes (MG), minimizou o crescimento do Centrão e disse que as siglas não vão manter o mesmo tamanho após a eleição. “Isso só dura até o dia da eleição, 2 de outubro”, disse. “Essa concentração é ruim para eles. Acho que eles não conseguem eleger todos. A pulverização é mais acertada que a concentração”, completou.

A principal migração aconteceu do antigo PSL para o PL. Deputados da tropa de choque bolsonarista, como Carla Zambelli (SP) e Eduardo Bolsonaro (SP), decidiram não ficar no União Brasil e foram para o partido ao qual o presidente se filiou em novembro do ano passado. O PL é comandado pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto, que foi condenado no esquema do mensalão. Em nenhuma eleição a sigla elegeu mais de 50 deputados. 

Para a disputa deste ano, a legenda espera manter uma bancada maior que 60 deputados e para isso aposta em “puxadores de votos” – candidatos que podem ajudar a eleger outros correligionários graças ao sistema de votação proporcional. Eduardo Bolsonaro, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes,  o secretário nacional de Cultura, Mário Frias, fazem parte desse grupo. 

No Senado, cuja eleição é majoritária, ou seja sem voto de legenda, os parlamentares podem mudar de partido a qualquer tempo. Junto com o MDB, o PL também foi quem ganhou mais senadores em relação ao número de 2018. A sigla saiu de uma bancada de dois para uma de sete. O MDB, maior partido da Casa, cresceu de 11 para 16. 

Com Estadão

Lairson Bueno

Lairson Rodrigues Bueno, advogado OAB DF 19407, especialista em Direito Penal, atuando na região Centro Oeste, e, estados de São Paulo e Piauí. É formado em Direito pela UCDB - Universidade Católica Dom Bosco de Campo Grande (MS), cursou Estudos Sociais pela UFMS - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, e, Teologia pela FE - Faculdade Evangélica de Brasília, pós graduado em Direito Penal e Formação Sócio Econômica do Brasil pela UNIVERSO-Universidade Salgado de Oliveira de Niterói (RJ). Mais de 70 cursos de qualificação e atualização profissional. Cursou Espanhol Básico e advogou na fronteira com o Paraguai. Ex-funcionario do Banco do Brasil por 12 anos e de cargos comissionados nas Administrações Públicas por 10 anos. Ex-presidente das Subseções da OAB por 3 mandatos, sendo dois mandatos por Samambaia (DF) e um por Taguatinga (DF). Contatos: (61) 9-8406-8620 advbueno@hotmail.com

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *