Reunião do BRB com Celina Leão discute balanço e próximos passos da instituição
BRB deverá entregar ainda hoje balanço ao Banco Central. A nova governadora Celina primete prioridade para resolver crise no banco.
O Banco de Brasília tem até o fim desta terça-feira (31/3) para entregar ao Banco Central do Brasil o balanço financeiro referente ao exercício de 2025. A obrigação segue a regra aplicada a todas as instituições financeiras do país, que devem divulgar suas contas anuais até esta data.
No caso do BRB, no entanto, o cumprimento do prazo ocorre em meio a um cenário delicado, marcado por questionamentos sobre a saúde financeira da instituição e pela necessidade de apresentar respostas concretas à crise desencadeada por operações envolvendo o Banco Master.
Reunião no Buriti trata da crise
Na manhã desta terça-feira (31/3), a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), se reúne com o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, para discutir a situação do banco e avaliar medidas emergenciais.
A reunião ocorre em um momento decisivo, já que o BRB solicitou ao Banco Central a prorrogação do prazo para entrega do balanço, mas até o momento não há definição da autoridade monetária sobre o pedido.
Pressão por solução e recomposição de capital
Além de cumprir a exigência regulatória, o BRB precisa demonstrar ao mercado e aos órgãos de controle que possui um plano viável para enfrentar os impactos das operações realizadas com ativos do Banco Master.
Em fevereiro, a instituição apresentou um plano de recomposição de capital, mas desde então vem enfrentando obstáculos, incluindo decisões judiciais desfavoráveis. Como alternativa, o banco solicitou, na última sexta-feira (27/3), um empréstimo de R$ 4 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), ainda sem resposta.
A direção do BRB, porém, mantém expectativa positiva. Executivos da instituição afirmam estar em diálogo constante com o Banco Central, que acompanha tanto as operações que geraram o desequilíbrio quanto as medidas adotadas para reequilibrar as contas.
Auditorias independentes também estão em andamento para avaliar os impactos reais das transações com o Banco Master, o que pode influenciar diretamente o conteúdo do balanço a ser apresentado.
Avaliação do Banco Central
Na última semana, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reconheceu o esforço da atual gestão do BRB para resolver a crise.
Segundo ele, há empenho da diretoria em encontrar soluções que evitem danos maiores à instituição, o que reforça a expectativa de que o banco consiga apresentar um plano consistente de recuperação.
Prioridade do novo governo
Desde que assumiu o comando do GDF, na segunda-feira (30), Celina Leão colocou a situação do BRB como prioridade absoluta de sua gestão.
A governadora classificou o banco como patrimônio dos brasilienses e afirmou que o governo não será omisso diante da crise. Entre as medidas defendidas por ela estão o afastamento de dirigentes envolvidos nas operações questionadas, o apoio irrestrito às investigações e a adoção de ações judiciais para proteger os cofres da instituição.
Segundo Celina, o BRB foi “vítima de uma fraude nacional”, e decisões judiciais já resultaram no bloqueio de cerca de R$ 400 milhões relacionados ao Banco Master e à empresa Reag.
A chefe do Executivo local também não descarta buscar apoio do governo federal, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para enfrentar a crise, mas ressaltou que não pretende utilizar recursos públicos do Distrito Federal para socorrer o banco.
Momento decisivo
O prazo desta terça-feira representa um ponto crítico para o BRB. A entrega do balanço ao Banco Central será um indicativo importante da real situação financeira da instituição e poderá influenciar decisões futuras de investidores, órgãos de controle e do próprio governo.

